11 dezembro 2005

Vítimas e vítimas

Confesso que tenho dificuldade em perceber o ”Jansenista” quando fala em «caricaturas e (...) preconceitos estigmadores, e (...) em proclamações sanguinárias sobre judeus, iranianos, yankees, ou outros», no contexto de feroz discussão albergada pelo amigo Paulo. O que estava em causa, e assim continuará, é o estatuto de vítimas de primeira de que os judeus se arvoram (não todos, evidentemente, mas, e o que é o mais importante, aqueles que têm poder e meios para o fazer à escala mundial), escudados nas perseguições e sofrimentos passados durante a segunda grande guerra. Esse estatuto serviu de base “moral” para o estabelecimento do Estado de Israel, instalando um barril de pólvora numa região onde quatro décadas antes viviam dez mil (!) judeus.
Os massacres perpetrados contra os árabes, as perseguições, os desalojamentos, as humilhações do dia a dia, criaram um ressentimento poderoso contra os sionistas e seus aliados, os EUA e alguns países ocidentais. Nunca desculparemos neste blogue os atentados, os terrorismos sejam de que matiz forem. Nunca devem ser os civis a pagar pelos desmandos de políticos e militares e mais grave é o facto de muitas vezes os próprios civis serem efectivamente as vítimas desejadas dos atentados.
O século XX viu atrocidades sem fim, povos sofrendo na pele as maiores barbaridades que se pode conceber no espírito negro de uma humanidade desumana. Dos ucranianos aos bósnios, dos palestinos aos cambodjanos, dos colonos portugueses massacrados em 1961 aos arménios despojados dos seus bens, das suas famílias, da sua dignidade em 1915. Mas um povo, um só, é o “eleito” pela consciência, neste particular muito pouco universal, alvo sem fim de manifestações de solidariedade, de repercussão mediática, de livros e filmes sem fim sobre o seu sofrimento. Esse facto para mim é uma infâmia pela forma como menoriza ou desvaloriza o sofrimento de tantas e tantas populações “não eleitas” – nada se compara à ordália do povo judaico. É um escândalo, é uma ofensa para todos os que, independentemente das suas ideias, não desistiram de pensar que a dignidade humana não é algo a abandonar – ou relativizar.
E este escândalo serve de arma de arremesso contra quem critique os desmandos actuais do estado sionista. Por muito que essa crítica seja de base política, logo vem o epíteto de anti-semita, de nazi, de exterminador em potência. É uma forma cobarde e extremamente desonesta de limitar a capacidade crítica de qualquer observador da realidade do Médio Oriente.
Lamentaremos sempre que uma criança ou adulto israelita vá pelos ares num atentado como lamentaremos a morte de crianças ou adultos iraquianos vítimas de uma guerra que ainda só agora começou e que foi levada a cabo pelos principais aliados do Estado de Israel. Quem não vir a ligação óbvia entre este e muitos outros factos que estão à vista não estará nunca interessado em que se compreendam os dramas que se vivem naquela martirizada região.
Os israelitas vivem na angústia de um atentado potencial mas não vivem a angústia real e diária de serem despojados das suas terras; de estarem à mercê de soldados para passar checkpoints que em muitos casos marcam a fronteira entre a vida e a morte (assistência hospitalar) ou entre a miséria e um emprego precário que seja; ou de ficarem separados dos seus familiares por um muro de vários metros de altura. Louvamos os israelitas pacifistas que continuam a lutar pela dignidade do povo palestino mas a sua luta parece perdida face a um poder indiferente, com ramificações que atravessam oceanos e milhares de quilómetros – a ocidente.


(Cidadão palestino a quem foi negada por soldados israelitas a passagem pelo checkpoint de Qalandia.)

3 Comments:

Blogger PlanetaTerra said...

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Introdução:
---> Pergunta: Quem são os AGRO-Nazis?
---> Resposta: São todos aqueles que visualizam o Planeta como uma Gigantesca Exploração AGRO-Pecuária: -> os Povos ( Raças ) de baixo rendimento ( economicamente pouco rentáveis ) devem ser ELIMINADOS......


Uma observação:
--- É INACEITÁVEL que, a propósito do HOLOCAUSTO NAZI-HITLERIANO, os Judeus andem por aí a atrofiar moralmente outros povos...quando os Judeus... TÊM TELHADOS DE VIDRO!!!
De facto, ninguém fala das Atrocidades Criminosas cometidas por Judeus AGRO-Nazis ... todavia... JUNTAMENTE COM OUTROS... também existiram Judeus... que andaram a EXTERMINAR Tribos Nativas economicamente pouco rentáveis... e... eles lucraram imenso com esses Holocaustos: em muitos 'Países AGRO-Nazis' ( América do Norte, América do Sul, Austrália... ) os líderes da Alta Finança são... Judeus!...
( Nota: Como é óbvio, nem todos os Alemães foram Alemães Criminosos Nazi-Hitlerianos... e, analogamente,... nem todos os Judeus foram Judeus Criminosos AGRO-Nazis )

Outra Observação:
--- Nos 'Países AGRO-Nazis' ( América do Norte, América do Sul, Austrália... ) deve ser iniciado um processo de transição ( que será longo... ) de devolução de territórios roubados aos Povos Nativos...
--->>> Ora, se passados alguns milénios, os Judeus voltaram a ter o SEU espaço no Planeta,..., ENTÃO PORQUE É QUE - passados APENAS alguns séculos - os Povos Nativos vítimas de Holocaustos AGRO-Nazis não podem voltar a ter o SEU espaço no Planeta!?!?!?!?!?!

Mensagem para os Agro-Nazis:
---> Agro-Nazis, vocês que no passado - para benefício do desenvolvimento económico - procederam à ELIMINACÃO de Povos Nativos... vocês são, sem dúvida alguma, os CRIMINOSOS Mais Eficazes da História da humanidade: vocês conseguiram alcançar o desiderato de EXTERMINAR COMPLETAMENTE muitas Tribos Nativas... economicamente pouco rentáveis...

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11 dezembro, 2005 18:57  
Blogger O Jansenista said...

Não vejo onde estava a dificuldade em perceber-me, visto que o seu post concorda inteiramente comigo, admitindo que, vendo a questão mais de perto e abandonando preconceitos "panorâmicos" ou agregações espúrias, as inflamações sanguinárias não fazem sentido. 99% da sua resposta é puro Norman Finkelstein (curiosamente citado também no meu post a que V. se refere); só lhe acrescenta uma vaga sugestão que pareceria legitimar o terrorismo palestiniano, coisa que Finkelstein não faz - a sugestão de que a população palestiniana apoia os terroristas, o que é falso (se assim fosse, não era preciso o Iraque, e agora a Arábia Saudita, pagarem um "preço de sangue" às famílias dos suicidas, nem seria preciso exercer o terror sobre as próprias populações palestinianas a pretexto de execuções sumárias de "colaboracionistas").
Omitiu na sua observação se subscreveria as afirmações do presidente do Irão; eu sei que não subscreveria, mas não ficava mal dizê-lo.

12 dezembro, 2005 12:17  
Blogger O Restaurador said...

Caro amigo, ajude e publicite, Vila Viçosa - Património Mundial!!!

Vá ver ao Restaurador da Independência!!!

Muito obrigado!!!

Saudações Alentejanas!!!

12 dezembro, 2005 13:57  

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