02 dezembro 2005

Bellas Artes ou Gugenheim?

A minha estadia em Bilbao (Bilbo em basco) não me deixou muito tempo livre para explorar a cidade, de modo que as impressões que aqui ficam são bastante limitadas.
A renovação urbana da cidade nas últimas décadas (pensada e levada a cabo por um grupo de empresários, banqueiros, políticos) deu-lhe um ar menos decadente e mais virado para o futuro. A zona do porto foi alvo de grandes intervenções, o Museu Gugenheim tornou-se imagem de marca da "nova Bilbao", os prédios limpos e as avenidas rearranjadas afastaram um pouco a imagem da cidade escura e feia.
Imagem que rapidamente nos volta quando passamos pelos subúrbios, densamente povoados (Barakaldo, Sestao, etc.), com prédios extremamente feios, escuros e altos, plantados um pouco ao acaso, alguns quase "em cima" da via rápida (autopista), arvorando inclusive faixas com dizeres como "Autopista fuera", "Basta de engaños", "Basta de ruído"... O facto de a grande Bilbao ser uma zona de grande indústria contribuíu para o aumento populacional e para o crescimento destes subúrbios e para a degradação geral com o colapso e redimensionamento das actividades produtivas. O trânsito é, a meu ver, uma verdadeira praga, dado que há muitas ruas estreitas que não dão fluidez ao tráfego.
A cidade propriamente dita não tem uma grande extensão e os pontos de interesse não são numerosos: algumas igrejas, museus (o Gugenheim, já citado, Bellas Artes, Arte Sacra, Arqueológico), a zona portuária, a zona velha.
Ao contrário do que testemunhei em Barcelona com o catalão, a língua basca não tem grande utilização em Bilbao (certamente não se passará o mesmo em outras cidades e sobretudo em meio rural). Apesar de as informaçãoes gerais serem bilingues, a povoação privilegia o castelhano no dia a dia, até porque os mais velhos não beneficiaram da aprendizagem da língua (disponível já só nos anos 80). Houve uma tentativa de uniformização desta (dadas as variantes locais) e é o resultado desse trabalho que é ministrado nas escolas.
Bilbao, num aspecto particular, parece uma cidade europeia "à antiga"- quase não se vê imigrantes: um negro aqui, um asiático acolá, um ou outro ameríndio... Já para os amantes do belo sexo a cidade não está mal provida de atractivos...
O atendimento em hotéis, restaurantes, lojas, táxis é muito bom: afabilidade, prestabilidade, educação, simpatia. Achei curioso o facto de nos restaurantes, ao contrário do que é habitual em outras zonas de Espanha, as pessoas não falarem alto, não havendo aquele ruído permanente de comensais em grande animação a falar a 200 à hora.
Não vi sinais de actividades independistas ou de simpatizantes do terrorismo etarra, a única manifestação (com não mais de 20 pessoas) que encontrei era a respeito da situação do Sahara Ocidental.
Lamentavelmente não arranjei tempo para visitar o Museu de Bellas Artes, com uma colecção alargada em termos temporais (Van Dyck, El Greco, Cézanne...), que preferiria ao modernismo do Gugenheim - questão de gosto e sensibilidade estética.
As minhas compras limitaram-se às secções de discos (três CDs de compositores bascos que desconhecia mais a edição comemorativa dos 25 anos - estou velho! - do histórico "Ocean Rain" dos Echo and The Bunnymen), livros (infantis para os meus petizes e um sobre Bilderberg) e brinquedos... Já que falamos em livros, as edições de não-ficção mais em destaque não surpreendem pelos temas: Franco, guerra civil, ETA, independentismo basco, islamismo - e Sudoku.
Ao contrário de Barcelona, Bilbao, embora não deixe uma recordação desagradável, não é uma cidade que tenha ficado no roteiro dos lugares a revisitar.

11 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Bares y cafeterias sin berridos (como en Portugal y en Francia).

02 dezembro, 2005 17:14  
Anonymous Anónimo said...

La narración del sr. FG Santos recuerda un poco la forma de narrar del Sr. Edmundo Moreira Tavarés del Weblog "Soy un perro callejero".

02 dezembro, 2005 17:15  
Anonymous Anónimo said...

Estimado FGSantos

Já que teve o cuidado de observar que Bilbau se diz/escreve Bilbo na língua basca, bem poderia designá-la correctamente em português e não em castelhano: Bilbau e não Bilbao.

AM

03 dezembro, 2005 04:16  
Anonymous Anónimo said...

¿Qué tal comió?

03 dezembro, 2005 04:48  
Blogger F. Santos said...

Muy bien: chuleta de ternera, bacallao alla vizcayna, tociño del cielo, siempre un bueno Rioja...

03 dezembro, 2005 09:40  
Blogger miazuria said...

Porque será que não se vislumbram pretos, sudacas em Euskal-Herria?

Porque será?

Gorra Identitatzoa!

03 dezembro, 2005 12:50  
Anonymous Anónimo said...

En resumidas cuentas...¿Lo pasó bien, no?

03 dezembro, 2005 13:53  
Blogger F. Santos said...

Por supuesto!

03 dezembro, 2005 15:23  
Anonymous Anónimo said...

engraçado.
O descrito corresponde exactamente às minhas impressões de Bilbao, pelas diversas vezes que a visitei, ou por ela passei ocasionalmente.

03 dezembro, 2005 18:05  
Anonymous Anónimo said...

Tiene más encanto San Sebastián.

04 dezembro, 2005 20:53  
Blogger Macillum said...

Merete Eldrup, um dos directores do jornal que publicou o cartoon, o Morgenavisen Jillands-Post, é esposa de Anders Eldrup, presidente da DONG, companhia de gás dinamarquesa e participante do secretivo Grupo Bilderberg nos últimos 5 anos.

07 fevereiro, 2006 22:33  

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