05 dezembro 2005

Ditadura cultural e meios de lhe fazer frente

Tem-se debatido ultimamente na blogosfera que comodamente podemos designar nacional o papel predominante que a esquerda detém nos meios de comunicação no mundo ocidental.
Há uns tempos lancei, entre o sério e o divertido, a ideia de uma revista que congregasse a colaboração de várias tendências nacionais (ver aqui e aqui). É curioso ler os comentários de então para vermos como esse anelo é tão ou mais forte hoje como há seis meses.
Alguns mais pragmáticos pensaram logo na questão do financiamento como factor impeditivo de concretização. Outros favoreciam a criação de um blogue colectivo. O debate mantém-se, continuando a haver mais interrogações que respostas.
Como em qualquer plano de marketing, deve-se analisar o mercado e a conjuntura. Antes de mais, a necessidade resulta da constatação da uniformização crescente (orientada à esquerda) da opinião veiculada pelos media. Os próprios espaços de opinião, outrora “últimos redutos” de alguma independência face à ideologia dominante, são cada vez mais controlados, como se viu recentemente com o DN, que afastou quatro “indesejáveis” (Blanco de Morais, Freitas da Costa, Xerez e Mendia).
A política, como bem caracterizou o Rebatet, também de plural só tem a alcunha, pois há “valores” (nomedamente monetários) que são comuns a todos os partidos: solidariedade e inclusão, igualdade e discriminação positiva (não ocorre a essas excelências que estes dois últimos são mutuamente exclusivos”!), mercado e regulação (idem!), ambiente e crescimento (idem!!!), liberdade e controlo dos extremismos (as contradições são infindáveis). Falar-se em Nação, povo português, interesse nacional, tradição, símbolos nacionais é cair sob o opróbrio do rótulo de reaccionário, fascista, que sei eu. E com dois ou três epítetos deste jaez se liquidam as chances mediáticas de quem procura defender os valores citados.
Este o enquadramento. Formas de contrariar esta tendência? O mais expedito e imediato é socorrermo-nos dos meios que temos à nossa disposição e aqui vem logo à mente a internet, como meio de fácil propagação de ideias. A propagação é fácil mas a difusão nem por isso, o risco de se funcionar entre “amigos”, num círculo fechado, é enorme, daí, como já defendemos em tempos, a necessidade de se estabelecerem pontes com outras tendências: com as inconciliáveis apenas para mostrar que existimos; com aquelas em que há valores comuns (defesa da vida, imigração limitada, soberania nacional) tem-se uma oportunidade de criar grupos informais de debate de ideias, podendo passar-se a nossa mensagem com algum êxito. A chave é não abdicarmos daquilo em que acreditamos (mal de nós e da nossa dignidade), tentando difundi-lo com uma postura construtiva, evitando radicalismos de linguagem que só dão argumentos aos “rotuladores”.
Já fui mais avesso à ideia de um blogue colectivo, embora continue com reservas quanto à capacidade de angariação de leitores em quantidade superior à audiência que terá na actualidade o ou os mais lidos no nosso campo. E a ameaça de cisões e tricas é sempre muito forte, podendo levar ao rápido colapso do projecto.
Uma revista, com maior controlo editorial e preparação prévia das matérias, tem maior possibilidade de influenciar duradouramente a opinião pública. Devagar mas com determinação. Ideias precisam-se.

5 Comments:

Blogger JoaoViriato said...

Isto é realmente um tema dos diabos. Toda gente sabe do problema, muitos apresentam soluções, mas fica-se sempre na mesma. Fala-se no assunto, debate-se muito, esquece-se e passado uns tempos lá volta o problema à ribalta, para tudo começar de novo.

Já disse (quase) tudo noutras ocasiões. Uma publicação física (jornal, revista) é mentira, já que os custos que isso comporta são inconciliáveis com um movimento da "nossa" dimensão. Ainda por cima, o dinheiro que se gastaria num projecto desses pode ser muito melhor aproveitado noutras iniciativas.

Resta a solução-internet, um meio com grandes saídas e com baixos custos. Que se comece por aí. Um blogue, uma revista on-line, um "minuto digital" (à portuguesa)... As opções são variadas. Só falta vontade e acção.

Em tempos falou-se de um blogue colectivo. Chegou-se até combinar títulos e membros. Pois é, o template do blogue está pronto há tempos, sem que ninguém lhe toque.

Não me interpretem mal, não quero dizer que quero voltar a escrever em blogues. (In)Felizmente, tenho andado bem ocupado. No entanto, custa-me ver tanta gente com boas ideias e bastante jeito sem espaço para falar, ou "encostada" em blogues com pouca actividade e escassa audiência.
Juntar esforços é fundamental para vingar, a única forma de romper o tal "bloqueio" e chegar a algum lado.
Já disse várias vezes e volto a afirmar: estou disponível para ajudar, seja a escrever (pouco), seja a nível de grafismo, templates, ideias, etc.

05 dezembro, 2005 17:40  
Blogger O Corcunda said...

Um sábio texto...
Apreciei particularmente a prudência! O mais importante parece ser uma certa forma de controlo e auto-controlo que evite que se vista a "pele do lobo", como tanto desejam os "sistémicos". Para isso é muito importante que se escolha (antes dos formatos) o que se quer dizer.~
Primeiro o quê!
Depois a quem! Escolhendo-se em seguida o veículo.
Só assim se pode determinar quem é o "nós" de que o Viriato (welcome back!!!) falava.
E para isso, mais do que uma "inclusiveness" de pontos de vista diferentes, que muitas vezes agregam pessoas que lutam por objectivos diferentes (muitas vezes contraditórios), seria mais útil uma verdadeira "concórdia"...
Sem isso não se avançará!

05 dezembro, 2005 18:53  
Blogger JoaoViriato said...

«Só assim se pode determinar quem é o "nós" de que o Viriato (welcome back!!!) falava.»

Welcome back? Eu tenho andado sempre por aqui... Sou omnipresente :D

05 dezembro, 2005 21:31  
Anonymous Anónimo said...

Este Viriato tem mais caras que corações!
Uma REVISTA era importante, um ponto "fisico" dfe convergência...
Já é relativamente fácil ver quem é a gente séria da blogosfera, por isso a questão monetária poderia ser depositar a primeira anuidade em determindadas mãos (conta). Poderia-se inclusive fazer uma simulação: - Custa tanto por ano quem alinha?
Tipo baixo-assinado...

Legionário

06 dezembro, 2005 09:38  
Anonymous Anónimo said...

Surpresa! No blog do FG Santos, nenhum comentário para destapar o caso Camarate- o assassinato de Sá Carneiro e Amaro da Costa à bomba no aviaozito- a 4.12.1980. Porquê? Alguem da direita nacional esteve por trás do crime. É incómodo falar? Divide o campo das direitas?

09 dezembro, 2005 00:05  

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