06 fevereiro 2006

Novo Horizonte

(Dedicado ao Viriato.)

NOVO HORIZONTE

«Os ensinamentos que a frente nacionalista nos tem facultado, a experiência que temos vindo a adquirir na batalha das ideias, levaram-nos a considerar indispensável para alcançar os nossos objectivos políticos e sociais, promover imediatamente uma total reconversão da nossa táctica, uma reorganização mais centralizada das nossas actividades, com vista à unificação numa Vanguarda de Combate de todos os jovens que militam isoladamente pelos ideais do Império e da Revolução.
Na realidade, nós somos muitos; o que acontece é que não temos consciência da nossa importância numérica pelo simples facto de não actuarmos em ligação uns com os outros, enquadrados num único movimento, estruturando de modo a permitir a rápida mobilização e acção conjugada dos jovens nacionalistas que presentemente combatem obscura e isoladamente.
A dispersão das nossas forças é um factor de desagregação muito prejudicial para a continuidade da Revolução de que somos herdeiros e militantes.
Se queremos efectivamente impor os nossos Ideais, integrar toda a Nação no espírito revolucionário que anima o nosso nacionalismo, aniquilar definitivamente os elementos corrosivos que ameaçam o Estado, temos logicamente de iniciar esta pesada tarefa de saneamento político agrupando numa frente única todos os jovens nacionalistas, todos os camaradas que perfilham os nossos princípios, pondo de parte as querelas de grupos e de pessoas, sacrificando generosamente à causa que defendemos tudo quanto possa desunir-nos.
Não podemos admitir transigências ideológicas nem consentimos, sob o pretexto da «unidade», cedências quanto à doutrina política. Mas, em contrapartida, pensamos que a unidade de pensamento, considerada fundamental, deve traduzir-se, no campo da acção política, por uma camaradagem cada vez mais forte e profunda a que devem ser sacrificadas sem reservas as inimizades pessoais, as rivalidades de capelas que dificultam a marcha da Revolução.
Um novo horizonte depara à nossa frente, o combate que agora iniciamos, na sequência das lutas ideológicas que já enfrentamos, pressupõe um estudo doutrinal mais profundo, para debater serenamente as teorias políticas e sociais com vista à elaboração de uma nova Ideologia, revolucionária pelas suas manifestações, mas inspirada nos princípios fundamentais da nossa tradição nacional.
Temos, pois, de pensar o que os nossos precursores defenderam instintivamente, de criar princípios orientadores da nova política portuguesa. É uma tarefa muito vasta que consiste na discussão de todas as ideias políticas, na crítica de todos os programas doutrinários, que encontre soluções para os grandes problemas contemporâneos.
Cumpre-nos levar a cabo esta missão, com serenidade e entusiasmo, na certeza de que a nossa juventude constitui uma garantia de pureza e de lealdade.
Que a Divina Providência ampare os nossos esforços e proteja a nossa ofensiva juvenil em prol do Maior Portugal!»

Luís Fernandes

In "Agora", n.º 332, 25 de Setembro de 1967.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

«Na realidade, nós somos muitos»

Infelizmente, ontem como hoje, a realidade é que somos poucos.

NC

06 fevereiro, 2006 20:28  
Blogger JoaoViriato said...

Antes de mais, obrigado pelo texto ;) fico muito sensibilizado por o FG Santos se ter lembrado de mim.

Grande texto, esse! Luís Fernandes tem várias reflexões acertadas sobre a juventude. Aqui, resume tudo o que sempre acreditei, tudo o que sempre defendi.
E é um caminho penoso. Não só porque infelizmente não somos (nem nunca fomos) tantos como diz o autor, mas também por que colocar "de parte as querelas de grupos e pessoas" é um desafio que enfrentamos todos os dias, em tudo o que quisermos fazer e sob pena de sermos apanhados em fogo cruzado. Para mim, esse é um dos principais problemas de hoje e o único que poderá dinamitar o pouco que foi sendo conquistado nos últimos anos.
Outro dos problemas é a apatia que move, ou melhor que não move os jovens nacionalistas de hoje. Ok, somos poucos, mas não somos tão poucos como isso. O pior é que a maioria só trabalha quando é chamada. De resto, os jovens nacionalistas de hoje limitam-se a mandar uns bitaites, qual treinador de bancada. Pronto, eu também não sou o exemplo perfeito de militância. Tenho falhas e reconheço-as. Mas aqui, mesmo que doa a alguns (e que depois venham com conversas "ah e tal, mas tu também não levantas o cú do sofá..."), tenho que colocar o dedo na ferida. A verdade é que não há muitos que tomem a iniciativa e decidam trabalhar, inciar um projecto com pés e cabeça ou colaborar em alguma coisa já existente. Dizermo-nos nacionalistas e irmos a meia dúzia de iniciativas não custa muito. O que custa é fazermos a Revolução todos os dias.

06 fevereiro, 2006 21:35  

Enviar um comentário

<< Home