28 dezembro 2005

Werther

Releio com avidez o "Werther" de Goethe. Tenho uma tremenda admiração por esta obra, um carinho enorme pelo seu personagem principal.
As desventuras do jovem Werther causam uma profunda comoção ao leitor, que acompanha a inexorável marcha para o abismo do apaixonado pela bela e sensível Charlotte.
Um jovem idealista, que sorve imoderadamente as belezas da natureza, se comove com as brincadeiras das crianças, fala com o povo sem preconceitos sociais, que abomina as convenções sociais (não deixando de notar que a desigualdade é inevitável) descobre um dia - um anjo. Mas o anjo, Charlotte, tem um prometido, Albert, rapaz atilado mas sem grandes aspirações estéticas e assaz racional. Há muito mais entendimento entre Charlotte e Werther, seja na apreciação de uma situação do quotidiano, seja na interpretação de uma passagem de um romance, ou pela reacção a uma ária musical.
A impossibilidade desta relação tira ao jovem todo o gosto pela vida, a sua única ânsia, obsessiva, é ver Charlotte, estar com ela, sentir a sua respiração, tocar-lhe na mão. É de um terrível dramatismo a passagem em que Werther descreve Charlotte e Albert a afastarem-se lentamente, em direcção a sua casa, vendo-se o branco do vestido daquela confundido com a sombra das altas tílias.
O romance, claro está, é um dos pináculos do romantismo, com a sua sensibilidade exacerbada, a sua revolta face à mesquinhez quotidiana, a sua aspiração por altos vôos estéticos, o amor profundo pela natureza. Usem-se os adjectivos que se usarem para descrever esta obra, para mim ela é uma obra de verdade, sincera, de sentimentos puros e autênticos, independentemente de quaisquer artifícios que Goethe tenha usado na sua redação. Uma obra eterna.

3 Comments:

Blogger Paulo Cunha Porto said...

Sabes que o Napoleão, que a tinha em grande conta, ordenou a sua proibição, porque temia que transformasse os jovens militares franceses em suicidas...

28 dezembro, 2005 19:17  
Blogger F. Santos said...

Não sabia.
Goethe foi muito criticado porque ocorreu efectivamente um surto de suicídios entre jovens leitores da obra. Apôs-lhe, então, um curto preâmbulo com que tentou impedir mais desgraças.

28 dezembro, 2005 19:23  
Blogger JSM said...

Caro FG Santos
Sempre muito interessante o que nos conta e relembra. Sobre o Werther, livro que tantas vezes comecei e nunca acabei!
Mas não termina o ano sem lhe desejar um Bom Ano. Azul, de preferência.

29 dezembro, 2005 14:01  

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